Caso Master: Congresso se prepara para delação premiada de Vorcaro


Em 19/03/2026

 



As expectativas em torno de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cresceram no Congresso Nacional.

Dois movimentos recentes contribuíram para intensificar esse cenário: as mudanças na equipe jurídica do banqueiro e as conversas do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com a Polícia Federal. Como mostrou o Metrópoles, a possibilidade de delação foi um dos temas tratados nesses encontros.

Além dos inquéritos na PF, o banqueiro passou a ser alvo de apurações na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado. Parlamentares desses colegiados, com acesso a dados obtidos por quebras de sigilo, avaliam que Vorcaro mantinha “infiltração” em diversas esferas do poder.

Um parlamentar que analisou uma nova leva de arquivos, mantida em uma sala-cofre e recebida pela CPMI, relatou a existência de registros de documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo ele, seriam sigilosos.

Outros deputados e senadores afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos, incluindo ministros do STF e outras autoridades. Também teriam sido identificadas fotos de autoridades em confraternizações com o banqueiro.

Na noite de segunda-feira (16/3), o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, mandou que a PF retirasse os dados do Vorcaro da sala-cofre diante de supostos vazamentos. Na noite de quarta-feira (18/3), a PF alegou que parte dos dados haviam sido reinseridos no sistema do Senado.


A sala-cofre

  • Em 12 de março, o presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que recebeu a quebra de sigilo telemático de Vorcaro.
  • Eram mais de 400 GB de materiais obtidos da Apple que seriam armazenados em uma sala-cofre.
  • Para acelerar, a CPMI decidiu liberar o acesso, a parlamentares e assessores, ao material bruto a partir de sexta-feira (13/3).
  • A sala continuou aberta no sábado e no domingo, datas em que foram acessados a lista de contatos, documentos e conversas do banqueiro.
  • Já na segunda-feira Mendonça decidiu encerrar o acesso aos dados do banqueiro por vazamentos.
  • A PF passou a terça-feira (17/3) recolhendo os materiais.

Dentro do Congresso, o possível vínculo do empresário com autoridades tem gerado temor e apreensão quanto à extensão de uma eventual delação. Na última semana, durante visitas à sala-cofre da CPMI, parlamentares, tanto da base governista quanto da oposição, tentaram afastar qualquer associação dos grupos aos esquemas investigados.

Apesar do clima de tensão, um líder da Câmara, sob reserva, defendeu que Vorcaro firme um acordo de delação para dissipar o “ar pesado” no Congresso. Na avaliação dele, as suspeitas de envolvimento de autoridades, incluindo deputados e senadores, em favorecimento aos negócios do banqueiro, prejudicam a imagem institucional e alimentam a desconfiança às vésperas das eleições.

“Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.

Um parlamentar do Centrão, por outro lado, avalia que a delação pode “tumultuar” o funcionamento da Casa e alcançar colegas.

“É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.

A possibilidade de delação de Vorcaro já foi discutida tanto com a Polícia Federal quanto com André Mendonça.

Ao relator do caso, o advogado José Luís Oliveira Lima mencionou o acordo como uma alternativa a ser avaliada. Já na PF, sinalizou a intenção de apresentar uma “delação séria e completa”.

Segundo apuração da coluna de Mirelle Pinheiro, o defensor afirmou que Vorcaro estaria disposto a fornecer todas as informações, sem poupar nenhum dos envolvidos.

Investigação

Investigado por fraudes financeiras, Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal em Brasília. Relator do caso no STF, André Mendonça apontou “risco concreto de interferência nas investigações” ao determinar a prisão, que foi depois mantida pela decisão da maioria da Segunda Turma do STF.

De acordo com a Polícia Federal, o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central, pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão de CDBs irregulares. O BC afirmou que a instituição violou normas que regem a atividade das entidades integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

 

Metropoles